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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

O Grande Oriente do Brasil e a Política brasileira

       
       Embora tenha, a Maçonaria brasileira, se iniciado em 1797 com a Loja Cavaleiros da Luz, criada na povoação da Barra, em Salvador, Bahia, e ainda com a Loja União, em 1800, sucedida pela Loja Reunião em 1802, no Rio de Janeiro, só em 1822, quando a campanha pela independência do Brasil se tornava mais intensa, é que iria ser criada sua primeira Obediência, com Jurisdição nacional, exatamente com a incumbência de levar a cabo o processo de emancipação política do país.

       Criado a 17 de junho de 1822, por três Lojas do Rio de Janeiro - a Commercio e Artes na Idade do Ouro e mais a União e Tranquilidade e a Esperança de Niterói, resultantes da divisão da primeira - O Grande Oriente Brasileiro teve, como seus primeiros mandatários José Bonifácio de Andrada e Silva, ministro do Reino e de Estrangeiros e Joaquim Gonçalves Ledo, Primeiro Vigilante. A 4 de outubro do mesmo ano, já após a declaração de independência de 7 de setembro, José Bonifácio foi substituído pelo então príncipe regente e, logo depois, Imperador D. Pedro I (Irmão Guatimozim). Este, diante da instabilidade dos primeiros dias de nação independente e considerando a rivalidade política entre os grupos de José Bonifácio e de Gonçalves Ledo - que se destacava, ao lado de José Clemente Pereira e o cônego Januário da Cunha Barbosa, como o principal líder dos maçons - mandou suspender os trabalhos do Grande Oriente, a 25 de outubro de 1822.

       Somente em novembro de 1831, após a abdicação de D. Pedro I - ocorrida a 7 de abril daquele ano - é que os trabalhos maçônicos retomaram força e vigor, com a reinstalação da Obediência, sob o título de Grande Oriente do Brasil, que nunca mais suspendeu as suas atividades.

       Instalado no Palácio Maçônico do Lavradio, no Rio de Janeiro, a partir de 1842, e com Lojas em praticamente todas as províncias, o Grande Oriente do Brasil logo se tornou um participante ativo em todas as grandes conquistas sociais do povo brasileiro, fazendo com que sua História se confunda com a própria História do Brasil Independente. Participando da extinção da escravatura negra no país, obtendo leis que foram abatendo o escravagismo, paulatinamente; entre elas, a "Lei Euzébio de Queiroz", que extinguia o tráfico de escravos, em 1850, e a "Lei Visconde do Rio Branco", de 1871, que declarava livre as crianças nascidas de escravas daí em diante. Euzébio de Queiroz foi maçom graduado e membro do Supremo Conselho da Grau 33; o Visconde do Rio Branco, como chefe de Gabinete Ministerial, foi Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil. O trabalho maçônico só parou com a abolição da escravatura, a 13 de maio de 1888.

       A Campanha republicana, que pretendia evitar um terceiro reinado no Brasil e colocar o país na mesma situação das demais nações centro e sul americanas, também contou com intenso trabalho maçônico de divulgação dos ideais da República, nas Lojas e nos Clubes Republicanos, espalhados por todo o país. Na hora final da campanha, quando a república foi implantada, ali estava um maçom a liderar as tropas do Exército com seu prestígio: Marechal Deodoro da Fonseca que viria a ser Grão-Mestre do Grande Oriente do Brasil.

       Durante os primeiros quarenta anos da República - período denominado "República Velha" - foi notória a participação do Grande Oriente do Brasil na evolução política nacional, através de vários presidentes maçons, além de Deodoro: Marechal Floriano Peixoto Moraes, Manoel Ferraz de Campos Salles, Marechal Hermes da Fonseca, Nilo Peçanha, Wenceslau Brás e Washington Luís Pereira de Souza.

       Durante a 1ª Grande Guerra (1914 - 1918), o Grande Oriente do Brasil, a partir de 1916, através de seu Grão-Mestre, Almirante Veríssimo José da Costa, apoiava a entrada do Brasil no conflito, ao lado das nações amigas. E, mesmo antes dessa entrada, que se deu em 1917, o Grande Oriente já enviava contribuições financeiras à Maçonaria Francesa, destinadas ao socorro das vítimas da guerra, como indica a correspondência, que, da França, era enviada ao Grande Oriente do Brasil, na época.

       Mesmo com uma cisão, que, surgida em 1927, originou as Grandes Lojas Estaduais brasileiras, enfraquecendo, momentaneamente, o Grande Oriente do Brasil, este continuou como ponta-de-lança da Maçonaria, em diversas questões nacionais, como: anistia para presos políticos, durante períodos de exceção, com estado de sítio, em alguns governos da República; a luta pela redemocratização do país, que fora submetido, desde 1937, a uma ditadura, que só terminaria em 1945; participação, através das Obediências Maçônicas européias, na divulgação da doutrina democrática dos países aliados, na 2ª Grande Guerra (1939 - 1945); participação no movimento que interrompeu a escalada da extrema-esquerda no país, em 1964; combate ao posterior desvirtuamento desse movimento, que gerou o regime autoritário longo demais; luta pela anistia geral dos atingidos por esse movimento; trabalho pela volta das eleições diretas, depois de um longo período de governantes impostos ao país.

       Presente em Brasília - capital do país, desde 1960 - onde se instalou em 1978, o Grande Oriente do Brasil tem, hoje, um patrimônio considerável, e em diversos Estados, além do Rio de Janeiro, e na Capital Federal, onde sua sede ocupa um edifício com 7.800 metros quadrados de área construída. O atual vice presidente do Brasil: Michel Temer e entre outros políticos, são maçons membros do GOB. 
Sede do Grande Oriente do Brasil - GOB (Brasília - DF)


       Com aproximadamente 2.000 Lojas, cerca de 61.500 obreiros ativos (31.12.1999), reconhecido por mais de 100 Obediências regulares do mundo, o Grande Oriente do Brasil é, hoje, a maior Obediência Maçônica do mundo latino e reconhecida como regular e legítima pela Grande Loja Unida da Inglaterra, de acordo com os termos do Tratado de 1935.

Histórico de Grão-Mestres

• 1° (1822-1822): José Bonifácio de Andrada e Silva

• 2° (1822-1822): D. Pedro I

• 3° (1831-1837): José Bonifácio de Andrada e Silva

• 4° (1837-1850): Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque

• 5° (1850-1863): Miguel Calmon du Pin e Almeida

• 6° (1850-1863): Luís Alves de Lima e Silva (Honorário)

• 7° (1863-1864): Bento da Silva Lisboa

• 8° (1864-1871): Joaquim Marcelino de Brito

• 9° (1871-1880): José Maria da Silva Paranhos

• 10° (1880-1885): Francisco José Cardoso Júnior

• 11°(1885-1889): Luís Antônio Vieira da Silva

• 12° (1889-1890): João Batista Gonçalves Campos

• 13° (1890-1892): Manuel Deodoro da Fonseca

• 14° (1892-1901): Antonio Joaquim de Macedo Soares

• 15° (1901-1904): Quintino Antônio Ferreira de Sousa Bocaiuva

• 16° (1904-1916): Lauro Nina Sodré e Silva

• 17° (1905-1905): Francisco Glicério de Cerqueira Leite (Interino)

• 18° (1917-1919): Nilo Procópio Peçanha

• 19° (1922-1925): Mario Marinho de Carvalho Behring

• 20° (1925-1926): Vicente Saraiva de Carvalho Neiva

• 21° (1926-1927): Joao Severiano da Fonseca Hermes

• 22° (1927-1933): Octávio Kelly

• 23° (1933-1940): Jose Maria Moreira Guimaraes

• 24° (1940-1952): Joaquim Rodrigues Neves

• 25° (1953-1954): Benjamin de Almeida Sodré

• 26° (1954-1963): Cyro Werneck de Sousa e Silva

• 27° (1968-1973): Moacyr Arbex Dinamarco

• 28° (1973-1978): Osmane Vieira de Resende

• 29° (1978-1983): Osires Teixeira

• 30° (1983-1987): Jair Assis Ribeiro

• 31° (1987-1988): Enoc Almeida Vieira

• 32° (1988-1993): Jair Assis Ribeiro

• 33° (1993-2001): Fancisco Murilo Pinto

• 34° (2001-2008): Laelso Rodrigues

• 35° (2008-atual): Marcos José da Silva

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