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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Ilha das Flores (Curta Metragem)


      Ilha das Flores não é, apesar do nome, uma ilha com flores. Bem longe disso. É, na verdade, um lugar em Porto Alegre (RS) para depósito de lixo. O curta-metragem de mesmo nome acompanha a colheita, compra e descarte de um tomate, que vai parar na ilha, junto com outros alimentos que foram descartados por milhares de pessoas na cidade. Alimentos que são destinados aos porcos do dono do terreno em questão e, depois, são deixados lá para que os moradores de Ilha das Flores possam recolher o que puderem. Em grupos de 10, em cinco minutos. Irônico e ácido, o filme de 13 minutos retrata o desperdício oriundo dos processos de produção e consumo atuais e como o capitalismo gera desigualdade social, interferindo na liberdade do ser humano.
      O filme trabalha dois temas principais: os padrões de produção e consumo das sociedades e a influência do dinheiro (e a falta dele) na vida das pessoas. Sobre o primeiro, fica bem evidente como produzimos demais, consumimos demais e depois não sabemos o que fazer com os resíduos que sobram e viram lixo. A questão é que não sabemos como lidar com o lixo. Desaparecer da frente de casa não significa desaparecer do planeta. Bem pelo contrário, quanto mais lixo colocamos pra fora de casa, mais sujo o planeta fica. E muita coisa jogada fora ainda podia ser consumida.
Relacionando conflitos sociais, ambientais, econômicos e culturais, Ilha das flores sai da zona de conforto para provocar reflexões sobre individualidade, liberdade, opressão, exageros, desperdício, sonhos. Com uma narrativa rápida que não muda de tom, o filme questiona a racionalidade da espécie humana.
       O curta foi produzido em 1989 por Mônica Schmiedt, Giba Assis Brasil e Nôra Gulart, com roteiro de Jorge Furtado e narração de Paulo José. Ganhou diversos prêmios nacionais e internacionais. No Brasil, venceu na categoria de melhor curta-metragem, roteiro e montagem no Festival de Cinema de Gramado, além de outros quatro prêmios regionais. Foi considerado o melhor curta brasileiro no Prêmio Air France do Rio de Janeiro e no Prêmio Margarida de Prata (CNBB) em Brasília. Foi destaque em festivais na Alemanha (Urso de Prata no International Filmfestival em Berlim e melhor filme no No-budget Kurzfilmfestival em Hamburgo), na França (Prêmio Especial do Júri Festival Internacional do Curta-metragem em Clermont-Ferrand e melhor filme no Festival International du Film de Region e Saint Paul) e nos Estados Unidos (Blue Ribbon Award no American Film and Video Festival, em Nova York). Não é para qualquer um!

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