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domingo, 29 de novembro de 2015

O dia em que o Natal parou uma Guerra!

Na véspera do Natal de 1914, em plena Primeira Guerra Mundial, combatentes rivais deixaram suas trincheiras e promoveram uma confraternização, com direito a presentes e improvisadas ceias natalinas.

     Na França, ocupada pelos alemães, os soldados e seus aliados escoceses juntaram-se com os inimigos, deixaram as armas de lado e saíram das trincheiras para uma trégua, um aperto de mão e para comemorar com cânticos e enfeites de Natal feitos de galhos secos e panos coloridos.

      Nas trincheiras na região de Flandres, no norte da Bélgica, em meio ao improvável clima amistoso para o momento, os soldados disputaram partidas de futebol. De um lado do 'campo', em meio à lama e arame farpado, jogaram os britânicos; do outro os alemães. A iniciativa dos combatentes foi condenada por alguns comandantes, que proibiram confraternizações nos anos seguintes da guerra. O general Sir Horace Smith-Dorrien, comandante do II Corpo britânico, revoltou-se ao saber o que estava acontecendo e emitiu ordens estritas proibindo a comunicação amigável com as tropas adversárias alemãs.

    Adolf Hitler um jovem cabo da 16ª Reserva bávara de Infantaria, estava entre os oponentes da trégua, tendo desabafado a respeito que: “Essas coisas não deviam acontecer em tempo de guerra. Os alemães perderam todo o senso de honra”?

      Os acontecimentos da trégua só foram relatados passados uma semana, devido a censura não oficial da imprensa da época que noticiava sobre o conflito. O silêncio foi finalmente quebrado pelo Neew York Times em 31 de dezembro, e imediatamente seguido pelos jornais britânicos, imprimindo inúmeros relatos em primeira mão de soldados em campo, obtidos a partir de cartas para suas famílias, e editoriais sobre "uma das maiores surpresas de uma guerra surpreendente". Em 8 de janeiro, foram publicadas fotografias, e os jornais The Daily Mirror e Daily Sketch divulgaram na primeira página fotos de soldados britânicos e alemães juntos e cantando entre as linhas de combate.

      Passado o Natal, na manhã seguinte, os combates foram retomados com a mesma selvageria, outras tentativas de tréguas até existiram como a da unidade alemã que tentou sair de suas trincheiras sob uma bandeira de trégua no domingo de Páscoa de 1915, mas foram dissuadidos pelos britânicos à sua frente.






Bibliografia:

  •  Marc Ferro, Malcolm Brown, Rémy Cazals, Olaf Mueller: Meetings in No Man's Land: Christmas 1914 and Fraternization in the Great War (2007, Constable, London) ISBN978-1-84529-513-4 (Tradução de Frères des Trancheés, Edition Perrin, França, 2005)
  •  Thomas Vinciguerra; New York Times, 25 de dezembro de 2005; The Truce of Christmas, 1914.
  • Stanley Weintraub; Silent Night: The Story of the World War I Christmas Truce (2001)
  • David Brown; Washington Post, 25 de dezembro de 2004; Remembering a Victory for Human Kindness; W.W. I’s Puzzling, Poignant Christmas Truce
  •  Malcolm Brown and Shirley Seaton; Christmas Truce: The Western Front, 1914 (1984)
  •  Richard Schirrmann: The first youth hosteller: A biographical sketch by Graham Heath (1962, International Youth Hostel Association, Copenhagen, in English).
  • Germany v England 1914 football rematch (2008), MOD Defence News.


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